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13 de Dezembro de 2013 - 11:10

Por - Agencia Estado

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A execução de Jang Song Thaek, tio do líder norte-coreano Kim Jong Un representou o fim rápido e violento de um homem que durante muito tempo foi considerado o segundo mais poderoso do país. Mas analistas que acompanham os acontecimentos na Coreia do Norte acreditam que o expurgo no sigiloso país asiático ainda não acabou.

Numa impressionante reviravolta da imagem popular de Jang, considerado um mentor e uma figura paterna para o jovem Kim Jong Un enquanto ele consolidava seu poder, a imprensa estatal norte-coreana anunciou que ele havia sido executado e o descreveu como um traidor moralmente corrupto que viu na morte do pai de Kim, Kim Jong Il, em dezembro de 2011, uma oportunidade de fazer seu próprio jogo de poder.

Especialista que estudam o país estão divididos sobre se a súbita alteração nos eventos nos mais altos níveis de poder indica que Kim Jong Un consolidou seu poder numa decisiva demonstração de poder. De qualquer forma, o expurgo é um acontecimento inquietante para um mundo que já desconfia da imprevisibilidade de Kim, tendo em vista as tentativas da Coreia do Norte de desenvolver as armas nucleares.

"Se ele foi tão alto no expurgo e então executou Jang, a mensagem é que as coisas não estão normais", afirmou Victor Cha, ex-conselheiro sênior da Casa Branca sobre Ásia.

As primeiras informações sobre o caso vieram à tona alguns dias atrás, quando a Coreia do Norte acusou Jang, de 67 anos, de corrupção, de ser mulherengo, de participar de jogos de azar e consumir drogas. Por conta disso, ele perdeu todos os seus cargos no governo. Nesta sexta-feira ele foi acusado também de tentar "derrubar o Estado com todo tipo de intrigas e métodos desprezíveis e com ambição selvagem para tomar o poder supremo de nosso partido e do Estado"

"Ele não ousava levantar a cabeça quando Kim Il Sung e Kim Jong Il estavam vivos", afirmaram meios de comunicação locais, referindo-se ao primeiro líder do país e a seu filho. Mas após a morte de Kim Jong Il, dizem os textos, Jang viu sua chance de desafiar Kim Jong Un e de colocar em prática seu "antigo e acalentado" desejo "de poder".

O expurgo também pode se espalhar e derrubar mais pessoas, disse Cha. "Quando você retira Jang, não está apenas extraindo uma pessoa, mas centenas de outras do sistema. Isso tem um efeito cascata.

Oficiais da inteligência sul-coreana disseram que dois dos aliados mais próximos de Jang já haviam sido executados no mês passado.

Narushige Michishita, especialista do Instituto Nacional para Estudos Políticos, em Tóquio, disse que a queda de Jang mostra "que Kim Jong Un tem coragem para se manter no poder e isso pode ter mostrado desejo pelo poder, sua vontade de se livrar de qualquer coisa que esteja no seu caminho".

Uma das maiores oportunidades para o mundo ver o que pode acontecer a seguir será em 17 de dezembro, segundo aniversário da morte de Kim Jong Il. Observadores vão analisar se a mulher de Jang, Kim Kyong

Com a queda de Jang, não há uma pessoa que ocupe claramente o posto de "número 2" na liderança norte-coreana. O círculo interno de Kim inclui agora o vice-marechal Choe Ryong Hae, o primeiro-ministro Pak Pong Ju, e Kim Yong Nam, o chefe de Estado, cujo papel é apenas cerimonial.

Outra dúvida é como o expurgo vai impactar o relacionamento da Coreia do Norte com sua principal aliada, a China. Jang era visto como um dos principais apoiadores das reformas econômicas no estilo chinês e uma importante ligação entre Pyongyang e Pequim. A China disse que a execução de Jang é uma questão doméstica e não fez comentários sobre o caso. Fonte: Associated Press.

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