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11 de Dezembro de 2013 - 13:37

Por Gabriela Lara - Agencia Estado

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A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) projeta um cenário de cautela para o varejo em 2014, influenciado principalmente pelo menor reajuste real do salário mínimo previsto para janeiro, de 0,9%, abaixo do registrado em anos anteriores. O movimento de alta do endividamento das famílias e a trajetória de queda dos índices de confiança, tanto do empresário como do consumidor, também contribuem para a expectativa. A FecomercioSP estima que em 2013 o varejo cresça 4% no estado. Para 2014, a expansão esperada é de 3%.

Além disso, na capital paulista o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) deve contribuir negativamente para a atividade varejista. "O primeiro trimestre será especialmente complicado, por esses fatores e pela própria sazonalidade, que sempre faz com que esse período seja mais fraco", disse o diretor executivo da FecomercioSP, Antonio Carlos Borges, na apresentação das perspectivas da Federação para 2014.

A expectativa para o setor na cidade de São Paulo é de alta de 3% este ano e de 3,7% no próximo. A situação ainda favorável do mercado de trabalho, com a manutenção dos níveis de emprego, e o crescimento do crédito e da renda, mesmo que em proporções menores, devem sustentar o resultado da atividade varejista em 2014. "Isso não vai garantir um desempenho tão forte, mas também evitará uma crise", afirmou Borges.

De acordo com a FecomercioSP, a realização da Copa do Mundo no Brasil no ano que vem tampouco representa um estímulo adicional para a economia varejista. Altamiro Carvalho, assessor econômico da Federação, disse que o evento terá um efeito limitado para o setor, já que o câmbio brasileiro é desfavorável para os turistas estrangeiros que virão ao País e, por isso, não deve haver um incremento significativo das vendas. "Estamos considerando um impacto quase nulo nesse sentido. Os maiores benefícios serão na geração de empregos e na área de serviços", destacou.

Antonio Carlos Borges chamou a atenção para questões macroeconômicas que, segundo ele, podem gerar preocupação no ano que vem. "Temos uma certa cautela, pois não sabemos como o governo vai equacionar o conjunto formado por taxa de juros, inflação e crescimento. E alguma coisa está errada no País com o consumo das famílias crescendo 4% (no terceiro trimestre de 2013), muito acima do PIB", disse. Ele explicou que, como a produtividade da indústria nacional não acompanha as necessidades da população, o mercado consumidor está substituindo artigos que poderiam ser produzidos no Brasil por importações. "Isso compromete o controle das contas externas e continuará pautando as discussões no ano que vem", falou.

Borges também citou a influência da inflação na trajetória de crescimento do País. "A inflação já afetou muito no primeiro trimestre deste ano, e preços em elevação são naturalmente limitadores da expansão. O que temos visto é que os preços dos serviços e dos produtos aumentaram, mas os preços dos serviços administrados pelo governo caíram. Isso é uma bomba de efeito retardado, porque, em algum momento, para que a atividade seja impulsionada, esses preços administrados terão que ser ajustados", argumentou.

Em 2013, o setor que apresentou melhor desempenho no varejo, segundo a FecomercioSP, foi o de eletrodomésticos e eletrônicos, que deve fechar o ano com expansão de 45,1%, impulsionado em parte pelos meses de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca e pelo programa Minha Casa Melhor, do governo federal, que facilita a compra de eletrodomésticos pelos participantes do Minha Casa Minha Vida.

Se a previsão for confirmada, o segmento de eletrodomésticos e eletrônicos fecharia 2013 com peso de 53,44% sobre o resultado geral do varejo no estado de São Paulo. Na sequência aparecem as categorias de materiais de construção, com alta estimada de 14%, e supermercados (3,1%).

A FecomercioSP também informou que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) terminará 2013 em 117,2, 1,8% abaixo da média de 2012, refletindo a cautela dos empregadores com relação aos investimentos e a preocupação com o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). Já o Índice de Consumo das Famílias (ICF) terá em 2013 o pior desempenho da série histórica, desde 2010. Encerrará o ano em 130 pontos, 8% abaixo de 2012, prejudicado pela inflação e pelas insatisfações populares que vieram à tona nos protestos do meio do ano.

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