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20 de Dezembro de 2013 - 15:46

Por Idiana Tomazelli - Agencia Estado

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A percepção sobre a situação financeira das famílias, tanto no momento atual quanto no futuro, foram a principal influência para a queda de 1,2% do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) de dezembro, divulgado nesta sexta-feira, 20, pela Fundação Getulio Vargas. "As condições econômicas têm uma influência muito mais rápida para o consumidor. Embora ele possa não entender a dinâmica ou os fundamentos da economia, ele entende exatamente onde está doendo, que é o bolso", afirmou a economista da FGV, Viviane Seda, coordenadora da pesquisa.

A maior dificuldade para se financiar por meio do crédito na comparação com anos anteriores, os preços mais elevados e a ruptura de incentivos ao consumo influenciam essa percepção, acrescentou Viviane. Nem a desaceleração da inflação entre o primeiro e o segundo semestre ajudou, uma vez que a parcela dos endividados segue em elevação. "Eles também veem nitidamente a desaceleração da economia. Embora a taxa de desemprego esteja baixa, o consumidor percebe que não há geração de empregos nem novas contratações."

O consumidor não enxerga um viés positivo no mercado de trabalho nem nos próximos seis meses. "Há uma incerteza quando o consumidor pensa no mercado de trabalho", disse Viviane. "Não está claro o quanto o desemprego batendo recordes de nível mais baixo representaria um benefício para eles. Isso poderia ser um problema no futuro, e o consumidor demonstrou essa preocupação ao longo do ano."

A comprovação dessa insegurança, segundo a economista, é o descolamento entre o nível de ocupação medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a percepção do consumidor sobre o emprego atual. Mesmo com a taxa de ocupação em alta, a confiança em relação ao mercado de trabalho continua caindo, ressaltou.

Viviane ainda destacou que o ICC está abaixo de sua média histórica recente em todas as faixas de renda - das famílias que ganham até R$ 2,1 mil mensais até aquelas cujo rendimento ultrapassa R$ 9,6 mil. A classe que mantém a confiança mais deteriorada, no entanto, é a faixa de renda 4, justamente a mais abastada.

"Trata-se de uma classe com mais acesso à informação, com escolaridade maior. Por isso, eles têm mais conhecimento sobre as decisões, entendimento sobre o que está acontecendo na economia, já vendo analistas que dizem que a recuperação da economia será um processo lento em 2014", explicou.

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