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06 de Janeiro de 2014 - 13:34

Por Gabriela Lara - Agencia Estado

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A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) espera que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na capital paulista, fique em 5% em 2014, após fechar 2013 em 3,88% - a menor taxa desde 2009, quando foi de 3,65%. A aceleração será impulsionada principalmente pela pressão do grupo Transportes e pela deterioração da situação fiscal brasileira, que inibirá medidas de incentivo a determinados setores. "As contas públicas apresentaram uma piora significativa, o que tira muito do governo a capacidade de conceder isenção de impostos", explica o economista Rafael Costa Lima, coordenador do IPC-Fipe. Segundo ele, com o fim do efeito positivo das desonerações da tarifa de energia elétrica e da cesta básica, a tendência é que a inflação acelere.

Em janeiro, a previsão para o IPC é de 0,98%, após avanço de 0,65% em dezembro. De acordo com a Fipe, devem pesar na conta sobretudo as altas previstas para janeiros dos grupos Educação (previsão de 6,54%), influenciado pelo reajuste das mensalidades escolares; Despesas Pessoais (previsão de 1,81%), devido ao aumento anunciado do preço dos cigarros; e Alimentação (previsão de 0,89%), graças à pressão exercida pelos alimentos in natura. O grupo Transportes deve ter elevação menos expressiva neste primeiro mês do ano, com estimativa de 0,63%, já que o efeito da volta da alíquota cheia do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis tende a ter um impacto retardado para o consumidor.

No entanto, ao longo do ano o grupo Transportes exercerá maior pressão por causa de um conjunto de fatores. Além do IPI, Costa Silva cita a possibilidade de novos reajustes da gasolina. "Pode haver um ou mais anúncios de aumento, para aliviar a situação da Petrobras", acredita Silva. Ele afirma que a estatal precisará de novos reajustes para fazer caixa e participar ativamente dos leilões do pré-sal em 2014. Outro aspecto citado pelo economista é a possível alta das tarifas de transporte coletivo, que acabou não se concretizando em 2013.

Já no grupo Despesas Pessoais, Costa Silva destaca a perspectiva de aumento dos preços das passagens aéreas no primeiro semestre, em função da Copa do Mundo. "Isso tudo vai gerar uma aceleração da inflação no acumulado em 12 meses. Mas não deve será tão preocupante, porque o crescimento da economia deve continuar baixo, então a pressão da parte da demanda seguirá fraca, como ocorreu em 2013", diz.

Ao fechar 2013 em 3,88%, a inflação medida pelo IPC na capital paulista deve ficar bem abaixo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - o resultado oficial só será conhecido na sexta-feira, 10, mas, conforme a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 6, pelo Banco Central (BC), o IPCA em 2013 foi de 5,74%.

Em 2014, no entanto, a discrepância entre os indicadores não se repetirá, segundo Rafael Costa Lima. "Além da diferença metodológica, que tende a subestimar a inflação no IPC e superestimar a inflação no IPCA, em 2013 pesou o fato de que a variação de preços não foi homogênea entre os itens", afirmou. Ele explica que no ano passado houve uma dispersão maior na inflação entre os itens, causada em parte pela intervenção do governo em preços através das desonerações e pelo "reequilíbrio" das cotações de algumas commodities agrícolas. "Isso contribuiu para a disparidade entre o IPC e o IPCA, e não deve se manter, pelo menos não nessa intensidade, em 2014", diz.

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