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07 de Janeiro de 2014 - 21:06

Por Mônica Reolom e Guilherme Soares Dias - Agencia Estado

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O último dia de provas da segunda fase da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), realizado nesta terça-feira, 7, foi o mais difícil, avaliou o diretor pedagógico da Oficina do Estudante, Célio Tasinafo. "A prova foi dentro do esperado, mas bastante cansativa - não era para amadores. É uma prova para selecionar mesmo. Hoje (esta terça-feira), dos três dias, foi o mais difícil", disse o professor.

De acordo com Tasinafo, os temas das questões desta terça-feira, 7, foram bem distribuídos em todas as disciplinas: "O aluno foi avaliado em todos os tópicos importantes, numa prova com questões tradicionais. Não tinha caráter interdisciplinar como observamos ontem (nesta segunda-feira, 6)".

Ele, que é professor de história, afirmou que nesta disciplina caíram temas clássicos como as características da cidade-Estado grega, a Era Vargas e a Revolução Francesa. A questão que tratava sobre a Segunda Guerra Mundial, de acordo com o professor, pode ser considerada a mais difícil.

O candidato precisava relacionar dois cartazes da época da guerra, um da União Soviética e outro da Alemanha, com o contexto daqueles países. Apesar da diversidade de temas, Tasinafo afirmou que prefere o modelo de prova adotado na segunda-feira. "A Fuvest vem consolidando um modelo interdisciplinar muito sólido que espero ver em outras provas. Toda vez eles conseguem sair do ?quadradinho?", ressaltou.

Na segunda-feira, os vestibulandos encararam 16 questões das disciplinas do ensino médio (história, geografia, matemática, física, química, biologia e inglês). A prova de português e a redação foram realizadas no domingo, dia 5.

Os candidatos que prestaram provas de exatas no último dia da Fuvest apontaram que física foi a matéria mais difícil. Os mais de 30 mil convocados para a 2ª fase do vestibular fizeram, cada um, 12 questões de duas ou três disciplinas, de acordo com a carreira escolhida.

A estudante Natália Siqueira, de 17 anos, que tenta ingressar em educação física, disse que a prova de Física tinha muitas fórmulas e que elas não traziam valores. "Era preciso fazer relações entre as fórmulas. Eu tinha estudando coisas parecidas, mas não desta maneira", afirmou. De acordo com a estudante, as questões de Biologia e de História estavam mais fáceis.

Em história, Natália destacou perguntas sobre o golpe de 1964, que completa 50 anos em 2014, e a Guerra do Peloponeso. Já em biologia, caíram perguntas sobre parasitas e o funcionamento da excreção dos animais. Já a acadêmica de relações públicas Stela Faustino, de 22 anos, prestou a prova para farmácia e também considerou física a disciplina mais complicada.

"Caíram coisas ligadas à física eletrônica e, apesar de darem as fórmulas nas questões, estava muito difícil". Stela classificou a prova de química, por outro lado, como fácil. Ela também teve de responder questões de história. A estudante afirmou que se formará em relações pública este ano na Universidade de São Paulo (USP), e que fez o vestibular para farmácia porque tem as mesmas disciplinas de medicina - curso que pretende ingressar no ano que vem.

Os candidatos consideram as questões de humanas "tranquilas". "Estudei bastante essa parte de humanas e não achei difícil. Para mim, o mais complicado foi matemática, em que tinha de fazer contas grandes", disse Sofia Czank, de 17 anos, que presta biblioteconomia e fez provas de matemática, história e geografia.

Em história, os estudantes ressaltaram uma questão em que era preciso explicar as diferenças nos dois governos do presidente Getúlio Vargas e relatar os principais conflitos do início da República brasileira. Em geografia, havia questões ligadas ao meio ambiente, além de uma proposição que pedia a comparação entre as populações e os Produtos Internos Brutos (PIBs) da União Europeia (UE) e da Índia. Também questionaram como as Coreias do Sul e do Norte se dividiram.

A prova teve distribuição de matérias nas disciplinas cobradas, de acordo com a coordenadora do curso e colégio Objetivo, Vera Lúcia da Costa Antunes. "Pediu conceitos fundamentais das matérias, os mais importantes, dando chances para que todos fizessem a prova", diz.

A exceção fica por conta de história, que se concentrou em moderna e contemporânea. De acordo com Lúcia, as provas apresentaram duas questões fáceis, duas médias e duas difíceis em cada disciplina. "Os estudantes que precisam responder seis questões da disciplina, pegavam as duas mais difíceis. Já os que escolheram cursos que tinham apenas quatro questões se livravam das mais difíceis", afirma.

Vera avalia que as provas de física, química e história trouxeram enunciados longos, que exigem que aluno lesse tudo até chegar a pergunta. "Isso mostra a necessidade que o vestibulando tem de saber interpretar questão", afirma. Em geografia e história, a coordenadora do curso Objetivo destaca a análise de gráficos, de tabela ou de mapas. "Foi uma prova rica em análise visual, em imagem. Isso denota a importância de saber fazer interpretação visual", afirma.

A prova de geografia surpreendeu positivamente os professores do Anglo Vestibulares. "O supervisor da disciplina deu nota 10. Abordaram geografia física, humana e econômica, além de testarem a capacidade do candidato de interpretar gráficos e mapas. Tudo que é requisito para o aluno dizer que sabe Geografia foi cobrado", afirmou Luís Ricardo Arruda, coordenador-geral do Anglo.

O professor avaliou que as questões de todas as disciplinas estavam bem elaboradas e exigiam um alto grau de conhecimento dos candidatos. "Hoje (terça-feira) foi difícil porque exigiram mais profundidade, era uma prova focada. Mas a de ontem (segunda), por causa da interdisciplinaridade, cobrava conhecimento de várias áreas. Os dois dias foram difíceis", afirmou.

Química também foi elogiada por Arruda por causa do tom das questões. "Quatro das seis tratavam de experimentos, que é o que desperta interesse do aluno durante as aulas e que o levam a conclusões com análises críticas". Apenas uma questão entre as 36 de todas as matérias foi contestada pelo coordenador.

Em história, uma das perguntas falava sobre o "Plano Colômbia", que tinha como objetivo erradicar as plantações de drogas naquele País. Para Arruda, a questão foi incomum por trazer um plano que não é evidente nos estudos da disciplina. "Como esse plano não foi para frente, não sei por que decidiram dar importância. Acho que não tem tanta relevância em 4 mil anos de História", salientou.

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