O acúmulo de lixo em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, provocado pela falta de coleta regular nos últimos três meses, agravou os estragos causados pelo temporal da última quinta-feira (03). No município, uma pessoa morreu, mil estão desalojadas (temporariamente fora de suas casas) e 276, desabrigadas (tiveram as casas destruídas). A força das águas destruiu 45 casas e outras 200 foram danificadas, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira pela Defesa Civil do Estado.
Derrotado na tentativa de reeleição em outubro passado, Zito tem sido procurado há vários dias pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, mas não é encontrado. Na casa do prefeito, no bairro Doutor Laureano, um homem que não se identificou disse não saber quando o ex-prefeito estará de volta. No dia 20 de dezembro, agentes da Polícia Federal recolheram documentos e computadores na residência do político, investigado por suspeitas de desvio de verbas da saúde.
Na tarde desta sexta-feira não havia lixo acumulado na calçada em frente à mansão de Zito, que fica em uma esquina. No entanto, montanhas de detritos se espalhavam em ruas próximas, inclusive na praça em frente à casa do ex-prefeito, onde há uma escola municipal. Em Xerém, os moradores relataram que, pela falta de coleta, muitos jogavam lixo nos rios. Nesta sexta-feira, além dos lixos, móveis e eletrodomésticos danificados pelas chuvas formam pilhas nas esquinas.
O acúmulo de lixo também preocupa moradores e autoridades em função das doenças relacionadas à chuva. Agentes de saúde percorreram as casas orientando os moradores sobre as doenças. Nos postos de saúde e abrigos, a prefeitura distribuiu vacinas contra o tétano e difteria e produtos contra a proliferação de ratos, em alerta para um possível surto de leptospirose.
"Vim aqui pois estou muito preocupado com todo o lixo. Ele se mistura à lama e na água e para pegarmos uma doença é muito fácil", comentou o aposentado Carlos Martins, de 64 anos, na fila do posto de saúde. "Meu maior medo é com a leptospirose, mas não tem vacina e não querem distribuir o veneno pois têm medo de contaminação", contou.
Embora sem a gravidade de Duque de Caxias, situação semelhante de coleta irregular repetiu-se na cidade vizinha de Belford Roxo. No dia 2 de janeiro, o novo prefeito, Dennis Dauttmann (PC do B), iniciou um mutirão para recolher 30 toneladas de lixo acumuladas nos últimos meses de 2012, ao final da gestão do prefeito Alcides Rolim (PT), que tentou a reeleição, mas nem chegou ao segundo turno.
As chuvas de quinta-feira (03) causaram duas mortes no Estado do Rio: uma em Duque de Caxias e outra na capital. Na manhã de sexta-feira, foi encontrado o corpo de Roberto Magessi, de 49 anos, morto em consequência de um deslizamento na Estrada da Paz, no Alto da Boa Vista, zona norte do Rio. Segundo a Polícia Militar, Magessi verificava uma caixa d'água do prédio onde morava quando foi atingido por uma árvore e morreu antes da chegada dos bombeiros.
Após se reunir com o governador do Rio, Sérgio Cabral, e com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, o prefeito Alexandre Cardoso anunciou que, em caráter emergencial, cerca de 300 famílias que tiveram suas casas destruídas ou danificadas receberão até R$ 5 mil de indenização para compra de roupas, alimentos e colchões. O plano da prefeitura inclui ainda a recuperação das pontes, ruas e estradas danificadas. Os recursos, ainda sem valor estimado, serão liberados pelo governo federal em até 60 dias.
O boletim mais recente da Defesa Civil do Estado informou que há 2.075 desalojados (que estão temporariamente fora de suas residências) e 444 desabrigados (que tiveram as casas destruídas) em sete municípios (Angra dos Reis e Mangaratiba, na Costa Verde; Duque de Caxias, Belford Roxo e Seropédica, na Baixada Fluminense; e Teresópolis e Petrópolis, na Região Serrana). Em Nova Iguaçu, o rio Botas transbordou e uma pessoa está desaparecida.



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