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03 de Dezembro de 2013 - 16:05

Por Lígia Formenti - Agencia Estado

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Pesquisa inédita feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que o tratamento de dependentes químicos é, na maioria das vezes, financiado pelos familiares. O trabalho entrevistou 3.153 famílias de todo o País que tinham entre os integrantes pacientes em tratamento. Desse grupo, 54% pagavam do próprio bolso a internação dos pacientes.

O trabalho revelou ainda que o impacto da terapia afetou de forma drástica ou fortemente quase metade dos entrevistados (45% deles). "Com o estudo, quisemos dar voz a essas famílias, que também sofrem com essa doença crônica, mas estão esquecidas, sobretudo pelos serviços públicos", afirmou o coordenador do trabalho, o psiquiatra da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas Ronaldo Laranjeira.

Atualmente, 28 milhões de pessoas vivem no Brasil com um dependente químico. "É um problema muito próximo de todos nós. Mas, ao mesmo tempo, poucos dão a importância devida", completa. O fato de a maior parte das famílias arcar com o pagamento é uma prova do abandono, avalia Laranjeira. "A informação é deficiente, os serviços, escassos", observou. A lacuna, completa, está estampada na pesquisa. Dos familiares entrevistados, 50% não sabem o que são os Centros de Atendimento Psicossocial de Álcool e Drogas (Caps), unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento de dependentes químicos. Dos que conhecem, 46% nunca haviam procurado um Caps.

"Os relatos impressionam: às vezes, familiares recorrem aos serviços, dizendo que o dependente está em casa descontrolado, ameaçando todos. A resposta que ouvem é que não há nada a ser feito, enquanto o usuário não comparecer, por conta própria, ao serviço de atendimento", relata o coordenador do trabalho. Laranjeira avalia que o mínimo que poderia ser feito é um serviço de aconselhamento para familiares, mesmo que por telefone. "Atualmente, o serviço limita-se a dar endereços sobre postos de atendimento. Isso não resolve", assegura.

A tensão reflete-se na qualidade de vida dos familiares. De acordo com a pesquisa, esse grupo tem um risco maior para desenvolver doenças. "Eles apresentam, significativamente, mais sintomas físicos e psicológicos que a média da população", afirma.

Dos entrevistados, 58% disseram que as questões enfrentadas com familiares dependentes de drogas afetaram o trabalho ou estudos. Dos entrevistados, 47% relataram ainda que a vida social havia sido prejudicada por causa das dificuldades enfrentadas com o familiar viciado em drogas. A maioria (80%) dos entrevistados era do sexo feminino. A maior parte dos consultados (45%) eram mães dos dependentes. "Geralmente, são elas as grandes envolvidas. Elas que ficam à frente no tratamento", disse.

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