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05 de Dezembro de 2013 - 13:07

Por Gustavo Porto e Renan Carreira - Agencia Estado

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O presidente da Associação Nacional do Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, afirmou nesta quinta-feira, 05, que tem "a palavra do ministro da Fazenda (Guido Mantega) de que teremos o aumento do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) em janeiro", uma referência à retomada da alíquota cheia do imposto para veículos automotores.

Moan disse, no entanto, que ainda não está definido se haverá a recomposição total da alíquota do imposto - reduzida em maio de 2012 e recomposta parcialmente em janeiro deste ano - e calculou que para cada ponto porcentual de alta na alíquota, o impacto será de 1,1% de alta nos preços de veículos. Como alíquota do IPI ainda segue indefinida, a alta pode chegar a 5,6% nos valores, levando-se em conta uma alíquota máxima de 7% para os automóveis até 1 mil cilindradas. "Todo aumento de impostos traz impactos", disse Moan.

Dados da Anfavea apontam que a redução na alíquota do IPI do setor automotivo, desde 24 de maio de 2012, gerou uma alta de R$ 6,8 bilhões na arrecadação de impostos federais e estaduais. A medida ampliou ainda em 1,35 milhão de unidades as vendas de veículos até 30 de novembro.

No caso dos impostos, a conta inclui a desoneração de R$ 4,9 bilhões do IPI subtraída do aumento de arrecadação R$ 11,7 bilhões no período, de PIS/Cofins (R$ 5,1 bilhões), ICMS (R$ 5,3 bilhões) e IPVA (R$ 1,3 bilhão). Já as vendas nos mesmo período, de 5,65 milhões de unidades, seriam 4,3 milhões se não houvesse a alíquota diferenciada do imposto, de acordo com previsão da Anfavea.

"Se não tivéssemos a redução do IPI, teríamos vendas menores e discordo que o volume de vendas seria artificial. Artificial é esse imposto alto", disse Moan. "As contas comprovam que a redução de impostos traz aumento da arrecadação na outra ponta", completou.

O presidente da Anfavea disse ainda que o valor exportado de autoveículos e máquinas agrícolas automotrizes, de US$ 15,4 bilhões no acumulado de janeiro a novembro, já é recorde histórico para qualquer ano. "É o maior número que a indústria automobilística já exportou, mesmo considerando anos fechados (contra esse período de 11 meses)", afirmou Moan.

Apesar da queda de 0,8% nas vendas acumuladas de janeiro a novembro de 2013, ante igual período de 2012, Moan afirmou que ainda acredita em uma estabilidade nos emplacamentos totais de autoveículos, se considerados os fechamentos dos dois anos, em 3,802 milhões de unidades. "Independente do desempenho de dezembro, acho que teremos um empate técnico entre os anos", disse Moan. "Mas o volume é favorável e nos mantêm como o quarto maior mercado do mundo", completou

O executivo, no entanto, admitiu que "seguramente" a previsão de alta de 1% a 2% nas vendas em 2013 sobre 2012, para até 3,88 milhões de veículos, não será cumprida e classificou 2013 como "um ano bom, não excelente". Para 2014, Moan, que recentemente previu um crescimento na produção de 5%, recuou e evitou fazer comentários. "Eu já levei muita bronca após falar e prefiro ficar quieto agora. Teremos um número em janeiro", brincou. "Mesmo com o aumento do IPI, teremos um mercado bom no próximo ano".

A Anfavea manteve ainda a estimativa de alta 11,9% para a produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, em 2013 ante 2012, para 3,79 milhões de unidades. As exportações em valores de autoveículos e máquinas agrícolas devem crescer 8,8% este ano, o que representa US$ 16 bilhões. Em volume, as exportações deverão crescer 20% este ano sobre 2012, para 534 mil veículos. A produção e venda de máquinas agrícolas devem crescer 13,5% e 18,4%, respectivamente.

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