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31 de Janeiro de 2013 - 11:14

Por Caio do Valle - Agencia Estado

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A Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo - entre Brasilândia, na zona norte, e o centro da capital - nem começou a ser construída e o governo do Estado já fala em estendê-la. Na quarta-feira (30), no evento que lançou o edital para as obras do empreendimento, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que estuda alongá-la até a Rodovia dos Bandeirantes, na zona norte. Esse ramal, com 6 km de extensão, deverá ser um monotrilho, diferentemente do trecho inicial de 15,9 km e 15 estações, todo de metrô convencional. Será o 4.º monotrilho previsto para funcionar na cidade.

"Já estamos desenvolvendo o projeto de mais cinco estações", afirmou o governador, acrescentando que a escolha do modal monotrilho se deve pelo fato de esse tipo de obra ser mais rápida de ser executada que um sistema metroviário comum. Além disso, Alckmin alegou que a quantidade de passageiros não será tão grande. "Como é final da linha, você não tem mesma demanda."

As paradas mencionadas na quarta-feira (30) são Morro Grande, Velha Campinas, Centro de Convenções Pirituba, Vila Clarice e Bandeirantes. Mas o governo frisou que o benefício para os moradores dessa região da cidade, carente de transporte público de qualidade, só se materializará nesta década se São Paulo for escolhida a sede da Feira Mundial de 2020 - o terceiro maior evento do planeta, atrás apenas da Copa da Fifa e da Olimpíada. O resultado deve sair no fim deste ano.

Isso porque o provável monotrilho passaria pelo centro de exposições que o poder público quer construir em um terreno de 5 milhões de metros quadrados em Pirituba, na zona norte. Esse complexo será a sede da Expo 2020, caso a cidade seja eleita.

Mas quem vive na região reclama da atual rede de transportes sobre trilhos, restrita à Linha 7. "O senhor tem de pegar o trem para saber, é péssimo!", gritou um morador para Alckmin.

Outra estação da Linha 6-Laranja pode ter a sua localização final alterada pelo Metrô. Trata-se da parada Brasilândia, a ser construída na Estrada do Sabão, na zona norte. Moradores do bairro querem evitar um número grande de desapropriados e, para isso, solicitaram ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) o deslocamento da obra para um terreno a150 metros do previsto no projeto.

É o que explica Walter Giacon, diretor da Sociedade Amigos do Jardim Guaraú e Gonçalves Centeno, que conseguiu uma audiência particular com Alckmin na manhã de quarta-feira (30) na Escola Estadual Cacilda Becker, onde houve a cerimônia para o lançamento do edital para a construção da linha.

"Tem como fazer essa estação sem desapropriar 300 famílias em dois quarteirões", diz ele, explicando que o número de imóveis afetados pelo decreto de utilidade pública, editado em maio de 2012, é menor que a quantidade real de residências existentes no espaço destinado à Estação Brasilândia. "São 80 casas, mas cada uma delas tem vários puxadinhos. Na minha própria casa existem cinco famílias."

Depois da pressão de Giacon, o Metrô agendou para esta quinta-feira uma reunião entre seus técnicos e representantes do bairro. "O governador foi muito atencioso e colocou o Metrô para nos ouvir e rever essa situação. Ele mesmo disse que ainda dá tempo." A intenção é fazer com que as obras ocupem um terreno vazio de 14 mil metros quadrados, poucas quadras mais para cima, na Estrada do Sabão.

"Fora que ali a densidade demográfica é maior, de 13,5 mil pessoas por quilômetro quadrado, sendo que no entorno de onde queriam fazer a estação são 6,5 mil." Giacon diz que a associação entrou com representação no Ministério Público.

Em 2011, alguns moradores de Higienópolis, na região central, reclamaram da localização da Estação Angélica, na mesma linha. Tempos depois, o Metrô a retirou da esquina da Rua Sergipe. A empresa nega relação com a queixa de vizinhos.

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