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19 de Dezembro de 2013 - 10:32

Por Cristina Canas e Álvaro Campos - Agencia Estado

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O mercado pode especular em torno da decisão do Banco Central de diminuir a ração diária de swaps cambiais a partir de janeiro, mas não será nada astronômico, segundo avaliação do operador de câmbio e DI da corretora Icap Brasil Ovídio Pinho Soares. "O mercado já estava prevendo a continuidade do programa e, se o BC diminuiu a oferta, é porque ele avaliou que a demanda é essa. O BC tem acesso a todas as operações e o mercado sabe disso", disse ao

Soares ressaltou ainda que foi importante o BC deixar claro que poderá mudar sua atuação, se achar necessário. "Ele fez as contas, avaliou a demanda e diminuiu a oferta, mas pode atuar sempre que quiser, não só no futuro, mas também no (mercado) à vista", acrescentou, prevendo que a trajetória de queda do dólar vista nos últimos dias continuará neste finalzinho de ano.

Alfredo Barbutti, economista da BGC Liquidez Corretora, também acredita que será preciso esperar para ver qual será a reação dos mercados globais à decisão do Federal Reserve de reduzir os estímulos monetários. "O Banco Central brasileiro deve ter considerado todas as implicações, não acho que eles escolheram um número aleatório (para os leilões diários de swap cambial). É preciso ver como será a reação de outras moedas emergentes, não é uma decisão isolada, ela está dentro do contexto global", comenta.

Questionado sobre se acredita que o BC poderia ajustar o programa caso o dólar se valorize muito rapidamente nos próximos meses, o analista lembra que a autoridade monetária deixou a porta aberta para realizar leilões de linha, "o que é uma possibilidade real". Ele aponta ainda que os formuladores de políticas norte-americanos também não querem um dólar muito forte, pois isso prejudicaria os exportadores do país. "As coisas continuam mais ou menos do jeito que estavam antes. Com o programa de swap o BC brasileiro forneceu hedge para os players, controlou a ansiedade do mercado, diminuiu a volatilidade. Porém, tudo depende dos indicadores econômicos dos EUA", opina Barbutti.

O Banco Central anunciou, na noite de quinta-feira, 18, que vai estender, com ajustes, o programa de leilões diários de moeda até 30 de junho de 2014. Conforme nota publicada no site da instituição e no BC Correio, a autoridade monetária fará leilões de swap de segunda a sexta-feira, quando serão ofertados US$ 200 milhões por dia. Já os leilões de venda de dólares com compromisso de recompra (linha) serão realizados em função das condições de liquidez do mercado de câmbio.

Além disso, o BC informou que sempre que julgar necessário poderá fazer operações adicionais de venda de dólares por meio dos instrumentos ao seu alcance. A nova dinâmica de leilões começa em 2 de janeiro de 2014. A extensão do programa de swaps do BC resultará em mais US$ 24 bilhões no mercado até junho, segundo a assessoria de imprensa da instituição.

Desde 23 de agosto, o BC realiza leilões de swap (de segunda a quinta-feira) e de linha (sempre às sextas-feiras). No caso do swap, são oferecidos atualmente US$ 500 milhões por dia. No caso das operações de linha, US$ 1 bilhão. Até o fim do ano, o BC espera ofertar cerca de US$ 100 bilhões por meio desses leilões diários.

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