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18 de Dezembro de 2013 - 08:25

Por Giovana Girardi - Agencia Estado

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Imagine se é possível um animal enorme como uma anta passar despercebido na natureza. Pois uma espécie da Amazônia conseguiu a proeza. Pela primeira vez desde 1865, um grupo de cientistas brasileiros publicou na segunda-feira, 16, a descoberta de uma espécie habitando a floresta no sul do Amazonas, em Rondônia e também na Amazônia colombiana.

A Tapirus kabomani é a quinta anta já encontrada no mundo. E o primeiro grande mamífero terrestre da ordem Perissodactyla (formada por antas, rinocerontes e cavalos) encontrado em mais de cem anos.

Menor que a anta brasileira (Tapirus terrestris) - tem, em média, cerca de 110 quilos, ante 320 kg da parente mais famosa -, era conhecida das tribos indígenas que habitam a região, mas só chamou a atenção da ciência recentemente.

O pesquisador argentino Mario Cozzuol, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi quem resolveu investigar o bicho, há mais de dez anos. "O curioso não é que ninguém nunca tinha visto a anta. Ela estava à vista de todo mundo, mas ninguém acreditava que era algo diferente", afirma. "Caboclos e indígenas diziam isso. A gente resolveu levar a sério o que eles falavam."

Cozzuol é paleontólogo e, em 2002, quando estava na Universidade Federal de Rondônia, orientou uma aluna a estudar uma anta fóssil. Para isso, ela precisava comparar o fóssil com crânios atuais da espécie e um dos materiais que ela coletou, da região de Porto Velho, em Rondônia, era um pouco diferente. "Parecia mais raro e daí começamos a investigar."

Após entrevistar populações indígenas, ribeirinhas e caçadores, os cientistas espalharam armadilhas fotográficas, que flagraram o bicho. A partir das imagens e de amostras do animal coletadas com essas populações - a própria equipe teve licença para caçar um exemplar, que agora está depositado na coleção da UFMG como referência -, foram feitos os estudos morfológicos e genéticos.

Além do tamanho, foram observadas outras diferenças, como patas mais curtas, crânio diferente e cor mais escura - tanto que é chamada de "pretinha" pelas comunidades tradicionais. A anta comum também tem crina mais alta e testa mais estreita que a kabomani. Os pesquisadores descobriram também que a espécie habita regiões mais abertas, os chamados campos amazônicos. As coletas foram feitas no Amazonas, em Rondônia e na Colômbia. As informações são do jornal

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