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11 de Março de 2014 - 06:40

Por Diego Zanchetta - Agencia Estado

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Celso Aparecido Bueno, de 53 anos, trabalha há três anos para recuperar um terreno de Atibaia onde houve deslizamentos de terra durante as enchentes de 2010. Até hoje a área de 15 mil metros quadrados está interditada. Bueno tentou até acelerar a contenção dos barrancos com medo das chuvas de dezembro e de janeiro.

"Agora estou muito mais preocupado com o fim da água no poço lá do meu bairro. Temos um poço para dividir em quatro famílias que está secando", conta o pedreiro, que mora no Bairro do Portão, uma das regiões de Atibaia que ficou submersa há quatro anos, na cheia do Rio Atibaia.

Bueno diz que o Córrego Onofre, um dos afluentes do Atibaia e que corta seu bairro, secou. "Do jeito que a seca está, nós vamos, com certeza, ficar sem água no inverno. É só ver as pessoas atravessando a pé o Rio Atibaia, pelas pedras, para saber disso", conta o pedreiro. "A chuvinha que caiu até agora não deu nem para limpar os bueiros. Nunca vi chover tão pouco em 53 anos por aqui", disse.

O pedreiro está certo em sua impressão. Depois das enchentes que fizeram os reservatórios do Cantareira atingir nível recorde de 100% em janeiro de 2010 e 2011, os três verões seguintes tiveram pouca chuva. Ao longo de 2013 apenas 1.090 milímetros foram registrados nas quatro represas que formam o sistema. A média histórica anual, é de 1.566 mm.

Em nove dos 12 meses do ano passado a precipitação foi inferior ao esperado, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O mês de dezembro foi o pior em 84 anos: teve 62 mm de chuva, ante a média histórica de 226 mm. Janeiro se manteve seco e o índice pluviométrico ficou em 87,8 mm - a média é de 260 mm.

Em nota, a Sabesp informou que não adianta chover forte em São Paulo porque não existe meio de represar água na capital. "Não há mais possibilidade de criar uma represa na capital, pois o espaço necessário é imenso. Seria como construir uma nova Guarapiranga."

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