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18 de Março de 2013 - 09:06

Por AE - Agencia Estado

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Apesar de todos os esforços do governo, a indústria brasileira de transformação não ganhou confiança para desengavetar novos projetos de investimento em 2013. Ao contrário, o setor pretende investir este ano 9,5% menos que em 2012. O valor deverá cair de R$ 218 bilhões para R$ 197,3 bilhões, de acordo com uma pesquisa de intenção de investimento que acaba de ser tabulada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

"O governo fez muitas coisas corajosas no ano passado, como o corte na taxa básica de juros, a desoneração da folha de pagamentos, a redução do custo da energia elétrica e mesmo com o câmbio", cita Roriz Coelho. "Mesmo assim, a pesquisa está indicando que ainda existem muitas dúvidas do empresário em investir, em aumentar a capacidade de sua fábrica e depois não ter condições competitivas para vender a produção."

O diretor da Fiesp não foi o único a ser surpreendido pela resposta das indústrias. "É uma ducha de água fria nas expectativas de dez entre dez economistas", diz Júlio Sérgio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e professor da Unicamp. "Não é a primeira vez que os economistas acreditam em uma coisa e os empresários, em outra", acrescentou, bem humorado.

A questão é que a indústria está definhando já faz algum tempo. Em 2012, por exemplo, a produção física caiu 2,8%, depois de ter ficado estagnada em 2011. Além disso, a balança comercial (diferença entre a exportação e a importação) do setor apresentou em 2012 o maior déficit da sua história, de US$ 50,6 bilhões.

"Essa retração na intenção de investimento faz todo sentido com o clima que percebemos nesse começo de ano nas empresas", diz Sergio Valle, economista-chefe da MB Associados. "Há uma percepção de que haverá dificuldade de recuperação este ano." Parte disso, segundo ele, se dá pela baixa competitividade da indústria, que não incentiva as empresas a exportar. Outra parte se dá "pelas incertezas regulatórias que o governo coloca e que sustam os investimentos".

O economista observa, no entanto, que os dados de investimento que são divulgados periodicamente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) podem causar confusão, já que o banco acena com expansão para 2013. Os números, no entanto, referem-se ao investimento global, incluindo infraestrutura, óleo e gás e agricultura, por exemplo, que vão bem, e não apenas industrial. "Além disso, caminhões entram em bens de capital e há apenas um efeito estatístico por causa da retração que tivemos no ano passado pela mudança do motor para euro 5, mais caro que o anterior."

As empresas entrevistadas pela Fiesp mostraram que a elevada carga tributária continua como principal limitante ao investimento. Contudo, o peso dos tributos perdeu importância (em resposta múltipla, foi citado por 56% dos entrevistados, ante 75% em 2012) porque outros fatores ganharam relevância. É o caso da baixa taxa de crescimento da economia, apontada por 36% dos entrevistados. Na pesquisa anterior, foram só 26%.

O empresário Corrado Vallo, sócio da Omel Bombas e Compressores Ltda, que fornece equipamentos para a indústria petroquímica, sentiu isso na pele. Há dois anos, a empresa investiu R$ 6 milhões na compra de máquinas e ainda tinha planos de investir outros R$ 6 milhões na construção de uma unidade.

"Desistimos desse projeto porque simplesmente não tem demanda", conta o empresário. "Até nos arrependemos um pouco de ter comprado aquelas máquinas, avançadíssimas, de comando numérico para usinar peças de três eixos, que não existiam no Brasil, porque elas deveriam trabalhar em três turnos e só estamos conseguindo rodar um turno por falta de serviço."

De acordo com a pesquisa da Fiesp, o investimento industrial em máquinas e equipamentos é o que deverá apresentar maior queda este ano, de 16,4%. Enquanto em 2012 foram investidos R$ 160 bilhões, agora se espera que sejam investidos só R$ 133,8 bilhões.

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