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16 de Janeiro de 2014 - 20:05

Por João Domingos e Vera Rosa - Agencia Estado

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Depois de ouvir de Dilma Rousseff a informação de que qualquer decisão sobre a reforma ministerial só será tomada no final deste mês ou início de fevereiro, o PMDB decidiu dar uma trégua à presidente da República nas cobranças por mais espaço na Esplanada dos Ministérios. A partir de agora, vai aumentar a pressão para que o PT apoie o partido nas candidaturas aos governos do Rio de Janeiro, Ceará e Mato Grosso do Sul, retirando os nomes já apresentados.

Na reunião de quarta-feira, 15, à noite, no Palácio do Jaburu - residência oficial do vice-presidente Michel Temer -, o partido concluiu que Dilma de fato o considera um parceiro preferencial para o projeto da reeleição. Afinal, em menos de 48 horas ela dedicou cinco horas de seu tempo para ouvir os dirigentes peemedebistas - duas horas e meia na segunda-feira, 13, quando disse que estava difícil encontrar mais um lugar no primeiro escalão para o PMDB, e duas horas e meia na tarde de ontem, quando disse a Temer e ao presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), que ainda não decidiu nada e deu novas esperanças ao partido de aumentar sua cota de ministérios.

Por isso mesmo, de acordo com informações de peemedebistas que participaram da reunião no Jaburu, a conversa envolvendo a questão ministerial durou menos de quinze minutos. O restante do tempo foi tomado por relatos de líderes do PMDB do Rio de Janeiro, Ceará e Paraná sobre as relações ruins com o PT nesses Estados. O presidente interino da legenda, senador Valdir Raupp (RO), falou das relações difíceis com os petistas em Estados como Mato Grosso do Sul, Paraíba e Piauí.

No encontro que teve com Temer e Renan, Dilma falou da importância do PMDB para o projeto da reeleição. Disse que não podia abrir mão da ajuda do partido. Satisfeito, o PMDB decidiu que ajudará o PT a manter o seu projeto nacional. Mas exigirá a contrapartida para eleger o máximo possível de governadores e aumentar a bancada de deputados. Hoje, tem 76, 12 a menos que o PT, que tem a maior bancada na Câmara. Para o partido, só é possível dividir o poder com os petistas se a legenda dispuser de força suficiente na Câmara e no Senado, na base de sustentação no Congresso, e nos governos estaduais.

Valdir Raupp (RO) disse ontem que o clima no partido melhorou em relação ao governo. "Não vamos pressionar a presidente Dilma", afirmou Raupp. "O tempo da reforma ministerial é dela." Dilma viajará no próximo dia 22 para participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos, e, depois, irá para Havana, onde comparecerá à cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), só retornando ao Brasil no dia 29. Somente depois disso reiniciará as conversas para a reforma no primeiro escalão.

Embora o PMDB tenha baixado o tom, nos bastidores, dirigentes do partido afirmam que pretendem conversar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre alianças. "A questão é política e o articulador político desse processo para a montagem dos palanques regionais é Lula", afirmou o senador Eunício Oliveira, pré-candidato do PMDB ao governo do Ceará, onde não há acordo com o PT. "Nós confiamos na competência da presidente para definir os espaços que os partidos aliados merecem ter, pelo seu tamanho, qualidade e importância neste ano eleitoral de 2014", disse o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

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