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15 de Janeiro de 2014 - 09:43

Por Vera Rosa e João Domingos - Agencia Estado

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Insatisfeitos com os rumos da anunciada reforma ministerial e sem acordo para as disputas nos Estados, dirigentes do PMDB vão pedir socorro ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar apaziguar a relação com a presidente Dilma Rousseff. O clima de tensão entre o principal parceiro do PT na coalizão será escancarado na noite desta quarta-feira, 15, em reunião do vice-presidente Michel Temer com a cúpula do PMDB em Brasília.

Lula está em férias, mas retornará às atividades no fim do mês. Para uma ala do PMDB, somente o ex-presidente - articulador político da campanha da reeleição de Dilma - pode ajudar a solucionar o conflito.

A nova crise começou porque, em conversa mantida com Temer na segunda-feira, 13, Dilma disse a ele que não entregará ao PMDB o Ministério das Cidades, hoje controlado pelo PP, e que também terá dificuldades para substituir agora o afilhado do governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), na Integração Nacional. O indicado dos irmãos Gomes assumiu a pasta em setembro, depois que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, provável adversário de Dilma na eleição, entregou os cargos que o PSB mantinha na equipe para ficar mais à vontade na disputa pelo Planalto.

Responsável pelas obras de transposição do Rio São Francisco, a Integração é uma das pastas mais cobiçadas da Esplanada, com previsão de orçamento de R$ 8,5 bilhões. Com cinco ministérios sob o seu comando (Minas e Energia, Previdência, Agricultura, Aviação Civil e Turismo), o PMDB insiste em desbancar "a turma dos irmãos Gomes" - Ciro e Cid - da Integração para dar a vaga ao senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) na reforma do primeiro escalão.

Apesar de não ter batido o martelo sobre o destino desse ministério, Dilma avisou a Temer que precisará abrigar novos aliados no governo, como o PROS, o PTB e o PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Na contabilidade da presidente, a empresa Transpetro - subsidiária da Petrobrás que é controlada pelo PMDB - entra na cota dos ministérios, tamanho o seu poder de influência.

"Está tudo muito tenso e vamos tentar manter o partido unido", afirmou o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Com a frustração na seara do PMDB, crescem as pressões para que a legenda antecipe de junho para abril a data da convenção que decidirá a aliança presidencial. Circulam rumores de que, se a convenção for antecipada, os defensores do rompimento com o governo Dilma poderão ganhar espaço.

"É muita ingenuidade achar que o PMDB vai romper com a presidente Dilma por causa de cargos", afirmou o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). "O que nós queremos é chegar a um acordo porque ou o partido é reconhecido do tamanho que tem ou não precisa ter nada no governo." A crise se reflete na montagem dos palanques nos Estados, o que, no diagnóstico dos peemedebistas, prejudica a campanha de Dilma.

Até hoje há problemas de convivência entre o PT e o PMDB em São Paulo, no Rio, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Rondônia, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. Após o encontro com Dilma, Temer se reuniu com Cunha, Vital do Rêgo, com o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp, e com o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI). Na reunião Castro confirmou a candidatura ao governo do Piauí, outro Estado onde o PMDB enfrentará o PT.

Na conversa, Temer disse que sempre conseguiu conter as rebeliões em seu partido, acenando com a possibilidade de aumentar o espaço da sigla na Esplanada, mas não escondeu o desânimo com a atual situação. É diante desse cenário que dirigentes do PMDB pretendem pedir a intervenção de Lula.

Nos bastidores, peemedebistas não se conformam de serem preteridos por um apadrinhado de Cid e Ciro e lembram que o PROS, nova sigla dos irmãos Gomes, tem só um senador. Quando era ministro da Integração, Ciro, hoje secretário da Saúde do Ceará, definiu o PMDB como um "ajuntamento de ladrões". As informações são do jornal

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