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09 de Janeiro de 2014 - 13:01

Por Marcio Dolzan - Agencia Estado

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Um grupo de 20 pessoas, dentre elas dez atletas entre crianças e jovens, realizou um protesto pacífico na manhã desta quinta-feira diante do estádio de atletismo Célio de Barros, no complexo do Maracanã. Com cartazes afixados na cerca e um bolo, o grupo lembrou o aniversário de um ano de fechamento do local.

"Infelizmente, não é um bolo comemorativo, mas é representativo do que está acontecendo", lamentou Caio Lima, do Comitê Popular Rio Copa e das Olimpíadas. "Pode ser que haja outros bolos, porque até agora não foi feito nada. Faltam dois anos para as Olimpíadas e tem um monte de atletas e futuros atletas, esperanças olímpicas brasileiras, treinando na rua", prosseguiu.

Há um ano, o Célio de Barros foi fechado como previa o contrato de concessão do Maracanã. Tanto o estádio de atletismo como o Parque Aquático Julio Delamare seriam demolidos - mesmo destino previsto para a Escola Municipal Friedenreich e o Museu do Índio. Uma série de protestos, porém, fez o Governo do Rio cancelar o projeto, sendo que esta semana o Estado e a concessionária que administra o estádio assinaram um aditivo que prevê a reforma dos locais.

Apesar disso, o Célio de Barros continua fechado. "A pressão popular conseguiu fazer com que esses equipamentos não sejam mais demolidos, mas não há nada garantindo que a população vai continuar tendo acesso", comentou Carla Hirt, que também ajudou na organização do protesto.

TREINO - Impedidos de treinar no interior do estádio, os atletas fizeram exercícios do lado de fora no protesto desta quinta. Cones e obstáculos - produzidos com fitas e garrafas pet - foram colocados na calçada, onde os atletas correram por alguns minutos.

Segunda colocada no heptatlo nas Olimpíadas Escolares em 2013, Marcelle da Cruz, de 17 anos, reclama do fechamento do local onde treinava desde os nove anos. "É complicado não poder treinar no Célio de Barros. Não tem tanto local para treino. A gente pode treinar no Engenhão, mas não tem muitas condições para treinar barreira, altura, e como eu faço sete provas diferentes, eu preciso treinar em locais que ofereçam essas condições", afirmou. Ela se queixa também do deslocamento. "Aqui é perto de tudo. No Engenhão eu preciso pegar dois ônibus, gasto 1h30 em deslocamento."

Quem também lamenta é o pequeno Guilherme Leite, de oito anos. Ele começou a treinar aos cinco, no Célio de Barros. "Aqui tem todas as coisas e a gente tem os dias certos para treinar. Lá (no Engenhão) é quando dá", disse.

Para Edneida Freire, ex-coordenadora técnica do projeto Rio 2016 - que reunia 322 atletas entre cinco e 50 anos no Célio de Barros -, a falta de um local específico para treinamentos prejudica a formação de novos atletas. "Cada dia temos que ir a um local diferente. No Engenhão, se o Botafogo tem treino, não podemos entrar. A gente já formou atletas que disputam brasileiro, sul-americano, mas quem acaba se prejudicando mais são as crianças."

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