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17 de Janeiro de 2013 - 23:02

Por Lourival Sant'Anna, enviado especial - Agencia Estado

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Forças especiais do Exército argelino atacaram ontem a instalação de gás da BP onde trabalhadores estrangeiros e locais eram mantidos como reféns por militantes islâmicos desde a manhã de quarta-feira. De acordo com fontes de segurança ouvidas pela agência Reuters, 30 reféns - dos quais ao menos 7 estrangeiros - e 11 combatentes islâmicos foram mortos na ação. Dentre os mortos estariam dois japoneses, dois britânicos e um francês.

O ministro das Comunicações da Argélia, Mohamed Said, informou, enquanto a operação ainda estava em andamento, que 40 argelinos e 3 estrangeiros haviam sido libertados. Uma fonte da área de segurança havia dito mais cedo que 25 reféns estrangeiros escaparam. Os cerca de 600 funcionários argelinos que também eram mantidos em cativeiro aproveitaram a vigilância menos estreita sobre eles - o foco dos sequestradores eram os estrangeiros - e também fugiram.

A ação das forças argelinas, iniciada por volta de meio-dia (10 horas em Brasília) surpreendeu e irritou os governos dos países cujos cidadãos eram mantidos reféns, que não foram informados da decisão. Dentre eles havia também americanos, noruegueses, romenos e um austríaco. "Quando o grupo terrorista insistiu em deixar a instalação levando os reféns estrangeiros com eles para países vizinhos, foi dada a ordem para unidades especiais atacarem a posição na qual eles estavam entrincheirados", justificou o ministro das Comunicações.

Um dos argelinos que conseguiram escapar, identificado como Abdelkader, de 53 anos, disse à Reuters que o sequestradores pareciam conhecer bem as instalações da BP e que usavam o vocabulário normalmente empregado por radicais islâmicos. "Os terroristas nos disseram logo no começo que não machucariam os muçulmanos e que só estavam interessados nos cristãos e infieis", disse a testemunha, de volta a sua casa na cidade de In Amenas, que fica próxima do complexo de gás. "'Nós vamos mata-los', eles disseram", contou Abdelkader.

Os sequestradores afirmaram pertencer ao até então desconhecido Batalhão de Sangue. A ação foi uma retaliação pelo fato de a Argélia ter aberto o seu espaço aéreo para os aviões franceses, que bombardeiam desde o fim de semana posições dos rebeldes islâmicos no norte e centro do Mali. O Exército argelino também fechou a fronteira com o seu vizinho do sul, dificultando a movimentação dos combatentes islâmicos.

A ação dos terroristas preocupa a Argélia, que tem uma fronteira de 1.376 km com o Mali, e grande quantidade de campos de petróleo e gás na região desértica.

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