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19 de Dezembro de 2013 - 23:22

Por Tali Bezerra, especial para a AE - Agencia Estado

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O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, aceitou nesta quinta-feira, 19, o pedido de exoneração do secretário de Defesa Social do Estado, Wilson Damázio, após repercussão negativa de entrevista dada ao Jornal do Commercio. Na reportagem consta que, questionado sobre a semelhança dos casos de abuso sexual praticados por policiais do programa Patrulha do Bairro contra adolescentes marginalizadas com o escândalo da Ronda do Quarteirão, no Ceará, em que câmeras dos próprios carros flagraram policiais praticando sexo dentro das viaturas, o secretário teria afirmado que "o policial exerce um fascínio no dito sexo frágil. Eu não sei por que é que mulher gosta tanto de farda".

Na mesma entrevista - publicada numa série em que a jornalista acompanhou o cotidiano de adolescentes envolvidas com drogas e prostituição, fazendo um link com o livro Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre - Wilson Damázio, segundo consta na matéria, aponta uma situação em que policiais foram presos após explorar sexualmente uma prostituta e credita a atitude a um desvio de conduta. "Quer dizer: desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu? Lógico que a homossexualidade não quer dizer bandidagem, mas foge ao padrão de comportamento da família brasileira tradicional", prossegue.

Durante todo o dia, movimentos sociais repercutiram a atitude do secretário, como a União Brasileira de Mulheres - Pernambuco (UBM), que, em nota, afirmou tratar-se de violência a opinião expressa na matéria. "O reconhecimento dos direitos políticos e sociais das mulheres e dos homossexuais constituem, atualmente, uma condição para a democracia. E nenhum agente público que desconheça esses direitos pode ser considerado apto a integrar a estrutura de um Estado que, a priori, deveria ser o promotor desses direitos".

Na tarde desta quinta-feira, Damázio manifestou-se em nota, colocando seu cargo à disposição do governador Eduardo Campos. Em seu manifesto, ele afirmou que as palavras dispostas na reportagem não representam suas ideias, história de vida ou o governo do Estado. "Dirijo-me à sociedade pernambucana para declarar que as mesmas não constituem meu pensamento nem minha visão do mundo, razão pela qual repilo os termos e peço desculpas a todos aqueles que porventura tenham se sentido ofendidos".

O governador Eduardo Campos aceitou o pedido de exoneração do secretário de Defesa Social. Em nota enviada pela gerência de imprensa do Estado, consta que "ele (o governador) se reuniu nesta quinta-feira (19/12) com o secretário (Wilson Damázio), agradeceu pelos bons serviços prestados e designou o delegado federal Alessandro Carvalho para responder pela pasta. Campos enfatizou que o Pacto pela Vida seguirá seu desenvolvimento pautado em valores, "como política de Estado que é, acima de pessoas e acima de governos".

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