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19 de Janeiro de 2014 - 08:48

Por Fabio Leite e Victor Vieira - Agencia Estado

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O Shopping JK Iguatemi, um dos mais luxuosos de São Paulo, na zona sul da capital, fechou as portas neste sábado (18), às 13h45, para impedir a entrada de cerca de 150 pessoas que protestavam em apoio aos "rolezinhos". O grupo, formado por estudantes e integrantes do movimento negro, registrou um boletim de ocorrência acusando o estabelecimento de racismo, e só deixou o local às 17h, após o shopping informar que voltaria a abrir apenas hoje. Não houve tumulto e a Polícia Militar acompanhou de longe.

"O shopping só fechou quando nós chegamos. É inadmissível. O movimento entende isso como uma ação retrógrada, racista e discriminatória, que remonta o período do Apartheid (regime de segregação racional adotado na África do Sul até 1994)", disse o professor Douglas Belchior, de 35 anos, organizador do ato e integrante do movimento Uneafro, que pretende entrar com ação na Justiça contra o estabelecimento. O shopping não tinha liminar da Justiça impedindo o "rolezinho".

Em nota, o JK Iguatemi afirma que "repudia veementemente qualquer acusação de preconceito por parte do empreendimento" e que "todas as pessoas, independentemente de cor, classe ou credo, são bem-vindas". O shopping diz que fechou as portas "com o compromisso de garantir a segurança de seus clientes, lojistas e colaboradores".

Até os funcionários das lojas foram impedidos de entrar e a saída de quem já estava no local ocorreu por uma única porta nos fundos do shopping. "Vivo de comissão de venda. Olha aí meu dinheiro indo embora", lamentou a vendedora de vestidos Angélica Guimarães, de 40 anos, apontado para os carros de luxo de possíveis clientes que eram impedidos de entrar no estacionamento.

Já Gilson Mesquita Nunes, de 24 anos, que mora no Jardim Miriam, periferia da zona sul, e trabalha em um restaurante do shopping, aderiu ao protesto e cantou rap e funk com os manifestantes. "Sábado passado fui humilhado porque o segurança me barrou na porta e pediu documento para poder entrar", disse. Na ocasião, o JK Iguatemi havia conseguido liminar na Justiça impedindo um "rolezinho" de adolescentes.

À noite, muitos frequentadores do shopping foram pegos de surpresa com a não reabertura do estabelecimento, cuja fachada espelhada ganhou cartazes de protesto e a calçada foi pichada. Uma família reclamou com seguranças que havia comprado ingressos pela internet para uma sessão de cinema e um casal de Curitiba já tinha entradas pagas para assistir à peça A Alma Imoral, a R$ 60. O shopping informou que os clientes serão ressarcidos e que neste domingo (19) as atividades voltariam normalmente.

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