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04 de Dezembro de 2013 - 07:36

Por Almir Leite, Raphael Ramos e Luís Augusto Monaco - Agencia Estado

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Pode acabar na Justiça a decisão da Fifa de manter jogos da Copa do Mundo às 13 horas. A Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol), com apoio do Fifpro (sindicato mundial de jogadores), promete entrar com uma ação contra a Fifa na próxima semana - provavelmente em uma corte suíça - se a entidade não atender ao pedido de alteração dos horários das partidas.

Na semana passada, o presidente da Fenapaf, Rinaldo Martorelli, entregou ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, um estudo feito com o acompanhamento de médicos e fisiologistas do Instituto de Fisiologia do Exercício (IFE) que comprova cientificamente os malefícios do calor para a saúde dos atletas. "Aguardaremos até semana que vem uma carta, nem que sejam só duas linhas, dizendo que não nos atenderão. Se não chegar nada até terça-feira, entraremos com uma ação para resguardar a saúde dos atletas", diz Martorelli.

A luta da Fenapaf e do Fifpro para convencer a Fifa a mudar os horários de alguns jogos do Mundial começou em 2 de outubro de 2012, quando Martorelli enviou uma carta a Blatter expressando preocupação com a saúde dos atletas que teriam de jogar sob altas temperaturas. Dia 12 veio a resposta da Fifa, agradecendo pela preocupação e garantindo que levou em conta a saúde dos atletas ao elaborar a tabela.

"Nós tentamos sempre que possível evitar jogos nas horas de temperatura mais alta nos lugares mais quentes e nos de temperatura mais baixa nos lugares mais frios", diz um trecho da carta, que foi obtida pelo Estado.

Martorelli enviou uma réplica no dia 23 de outubro dizendo que não considerava o tema esgotado e propondo um trabalho conjunto com a Fifa em busca de uma solução. Diante da falta de resposta, a Fenapaf e o Fifpro entraram em contato com o fisiologista Turíbio Leite de Barros, que planejou o projeto chamado de "Jogos Simulatórios". Foram realizados quatro jogos-teste em Manaus, Brasília, Fortaleza e São Paulo entre os meses de junho e julho (mesmo período da Copa), às 13h e 15h. Os atletas ingeriram uma cápsula com um sensor térmico e um aparelho media a temperatura corporal.

Os resultados desse estudo foram enviados à Fifa e, a princípio, Blatter pareceu se sensibilizar com a proposta de mudar alguns horários. Em entrevista dada em Roma no dia 22 de novembro, ele declarou: "Temos recebido estudos e pedidos para mexer nos horários porque o calor no Brasil é mesmo um problema. O calendário dos jogos está elaborado, mas ainda não foi sancionado. Vamos discutir uma possível mudança."

Nesta terça, Blatter mudou o discurso. E lembrou que as Copas do México, em 1970 e 1986, também foram realizadas sob intenso calor. "Quando disputamos a Copa do México, jogamos muitas partidas às 12h e ainda havia o fator altitude. Hoje em dia, os jogadores estão acostumados a jogar em condições que nem sempre são as melhores. A Copa também envolve o calendário, temos de encaixar três partidas por dia. A vida é assim, o futebol é assim. Nem todo mundo vai ficar satisfeito, mas não podemos agradar a todos."

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, garantiu que a decisão da entidade foi técnica. "Não determinamos os horários dos jogos na Suíça, debaixo da neve, mas sim baseados em relatórios médicos. Temos noção das condições climáticas."

INFLUÊNCIA DA TV - Presidente da Uefa, o francês Michel Platini também defendeu a realização de partidas às 13h. O francês lembrou que disputou a Copa de 1986, no México. "Para participar do sorteio, vim de Paris para Salvador e enfrentei uma diferença de 30 graus. As seleções terão tempo para se preparar, não tem problema. Outra questão é política e econômica por causa dos direitos de TV. Se muitas pessoas querem ver os jogos, você tem de colocar as partidas em um bom horário para a TV", afirma.

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