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19 de Dezembro de 2013 - 19:55

Por Caio do Valle - Agencia Estado

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No futuro, São Paulo poderá ganhar faixas exclusivas para táxis. A proposta foi apresentada nesta quinta-feira, 19, pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner, um dos pioneiros na criação de corredores exclusivos para ônibus no mundo, durante reunião do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte, na região central da capital paulista. O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, disse que simpatizou com a ideia, afirmando que poderia ser estendida a outros veículos, como ônibus fretados.

"É uma coisa que me ocorreu no momento, precisa ser conferida", afirmou Lerner, responsável pela criação, enquanto prefeito de Curitiba, do sistema de BRT (bus rapid transit, na sigla em inglês) da capital do Paraná, em 1974. O modelo tornou-se referência internacional.

Contudo, a alternativa de ceder as faixas apenas para os táxis só seria posta em prática depois da construção de corredores para ônibus à esquerda nas vias onde já existem as faixas, que ficam à direita. Assim, essas faixas, que hoje são usadas só pelos coletivos, poderiam ter o uso transferido para os táxis. Atualmente, os taxistas não podem usar as faixas à direita, somente os corredores. Em 2013, a Prefeitura intensificou a instalação de faixas exclusivas para os ônibus na capital, que tem 34 mil táxis.

"É uma ideia. Eu fiquei simpático com essa ideia. Mas, veja, ao mesmo tempo surpreso, porque é um avanço você usar (as faixas para) o táxi ou para quem tem mais de uma pessoa no carro ou o fretamento", afirmou Tatto. Ele destacou ainda que será preciso analisar o viário para ver se comporta esse tipo de concepção.

A medida entra em discussão na semana em que o Ministério Público Estadual (MPE) deu um prazo de 45 dias para que a Prefeitura de São Paulo proíba a circulação de táxis nos corredores de ônibus. Uma recente pesquisa da Prefeitura paulistana indica que os táxis prejudicam o deslocamento dos ônibus, deixando-os 25% mais lentos. Com isso, agravam-se dificuldades de superlotação e de demora dos coletivos nos corredores exclusivos.

Os taxistas, porém, não querem perder o direito de transportar os passageiros pelos corredores, alegando que isso causaria perda de clientela. Se a gestão Fernando Haddad (PT) seguir a recomendação do MPE, os sindicatos do setor podem promover carreatas como a de segunda-feira, 16, que seguiu até a sede da administração municipal, no centro.

Caso Haddad não acolha o que sugeriu o MPE após o prazo de 45 dias, a Promotoria de Habitação e Urbanismo entrará com uma ação civil pública contra o Poder Executivo municipal. Uma nova reunião do Conselho de Trânsito e Transporte foi agendada para o dia 15 com o objetivo de discutir, especificamente, a questão da circulação dos táxis nos corredores de ônibus.

Nesta quinta-feira, o taxista Jorge Spínola, da Associação de Rádio Táxi de São Paulo (Artasp), defendeu que o Executivo municipal adote um meio-termo, caso haja proibição aos táxis. "Poderiam permitir a circulação nos corredores fora dos horários de pico, por exemplo", argumentou. Já Tatto reforçou o apoio ao transporte coletivo. "Andar de ônibus na cidade de São Paulo é uma coisa boa, faz bem", disse, acrescentando que anda de coletivos "quase todos os dias".

O secretário municipal de Transportes de São Paulo também declarou que outra ideia de Lerner será posta em prática pelo Palácio do Anhangabaú. Trata-se de uma operação controlada no sistema de ônibus para que os passageiros possam saber a hora exata em que os coletivos passarão pelos pontos de ônibus de algumas faixas e corredores da cidade. Ainda não foi definido quais vias serão contempladas.

Lerner também participará da concepção do primeiro novo corredor de ônibus no município, propondo ajustes e melhorias que serão adotados nos demais. A gestão Haddad promete começar a construir 150 quilômetros de canaletas exclusivas para ônibus (à esquerda da pista, coladas no canteiro central das avenidas) no primeiro semestre de 2014. Vias como as Avenidas Radial Leste, Aricanduva, Celso Garcia, 23 de Maio e Bandeirantes estão entre as que ganharão corredores exclusivos.

O urbanista, que além de prefeito de Curitiba foi governador do Paraná, foi contratado pelo Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (Urbanuss) para desenvolver um estudo sobre a ampliação dos corredores de ônibus em São Paulo. O material foi apresentado durante a reunião do Conselho de Transporte. No projeto, Lerner defende a criação de três corredores circulares e dois radiais - rumo à região central. Um deles ligaria a Avenida Paulista ao aeroporto de Congonhas, na zona sul, em 15 minutos, contra os cerca de 60 minutos feitos pelos carros.

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