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11 de Dezembro de 2013 - 11:25

Por Marina Guimarães, correspondente - Agencia Estado

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A tensão social já afeta 17 das 23 províncias da Argentina. Segundo cálculos da Câmara de Pequena e Média Empresa, 1.900 estabelecimentos comerciais em 14 províncias já foram saqueados. A maioria ficou destruída e o saldo é de centenas de pessoas feridas e oito mortos nas províncias de Jujuy, Entre Ríos, Chaco e Tucumán. Na semana passada, duas pessoas morreram na província de Córdoba, onde ocorreram os primeiros saques, e na cidade de Glew, na província de Buenos Aires.

A onda de violência começou entre os dias 3 e 4 de dezembro, quando policiais na província de Córdoba se aquartelaram para pedir melhores salários e bônus de fim de ano. Os saqueadores se aproveitaram da situação e atacaram centenas de estabelecimentos comerciais e residências. Na ausência da polícia, os próprios comerciantes e moradores formaram barricadas e se armaram para tentar se defender. Houve enfrentamentos com o registro das primeiras vítimas.

Ontem à noite, a presidente Cristina Kirchner disse que a situação representa para o governo uma "extorsão policial" e que os saques são organizados. Durante festa em um palco em frente à Casa Rosada, sede do Executivo, para comemorar os 30 anos de democracia no País, Cristina falou que existem setores políticos que incitam o clima de insegurança para amedrontar os eleitores. Segundo ela, não é coincidência que em outras datas de 10 de dezembro tenham ocorrido fatos similares.

"Não sou ingênua, não creio nas casualidades, tampouco creio nos fatos que se produzem por contágio", afirmou, descartando o efeito dominó provocado por Córdoba. Para Cristina, os saques e o movimento de reivindicações policiais são planejados para "desgastar a democracia".

O dia 20 de dezembro é marcado pela renúncia do ex-presidente Fernando De la Rúa, ocorrida na madrugada do dia 20 de dezembro 2001, em meio a violentos protestos e saques. Na ocasião, a população foi à Praça de Mayo pedir "que se vayan todos" (que todos saiam do governo). O País vivia uma crise profunda - institucional, política, financeira e econômica - com quase 60% da população na pobreza e o desemprego acima de 17%. Poucos dias depois, após a renúncia, o presidente interino Adolfo Rodríguez Saá declarou a moratória da dívida de mais de US$ 100 bilhões. O saldo dos protestos foi de 39 pessoas mortas, entre eles nove menores de idade.

Agora, para o próximo dia 20, os donos de supermercados chineses que estão localizados na maioria dos bairros de Buenos Aires já anunciaram que vão permanecer com suas portas fechadas por temor de uma onda violenta de saques.

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