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10 de Março de 2014 - 21:32

Por Ligia Aguilhar e Bruno Capelas - Agencia Estado

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"Para uma startup chamar a atenção, ela precisa ter boas ideias e ser realista. Precisa ter fãs e não clientes." É o que garante Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden e um dos principais palestrantes da sétima edição da Campus Party Brasil.

Mas o que heavy metal tem a ver com tecnologia? Além de ser um dos maiores rockstars do mundo, Dickinson também é investidor-anjo (isto é, especializado em financiar startups) e empreendedor - ele é dono de uma companhia aérea e de uma escola de aviação na Grã-Bretanha. Bruce veio a São Paulo falar aos campuseiros nesta terça-feira, 28, sobre seus negócios e dar dicas de empreendedorismo.

Falou sobre seu envolvimento com o empreendedorismo e o fato de ter investido em seus próprios negócios apenas depois de já ter se tornado famoso com o Iron Maiden. "Meu pai era um empreendedor. Acabei virando cantor, o que foi insperado para minha família", disse.

A ideia de empreender na área de aviação, segundo ele, surgiu após ver a falência de uma companhia aérea da qual era piloto. "Entrei num projeto com meus companheiros da companhia aérea. Criamos um negócio muito mais simples, e acreditamos que era melhor assim. Estamos quase dando lucro neste momento", diz.

A Cardiff Aviation recebeu 500 mil libras de investidores e mais 500 mil libras do governo inglês. "É um negócio difícil porque envolve muita engenharia. Reduziremos nossos custos em 70% nesse ano. A Embraer é incrível, mas a Cardiff tem um modelo de negócios 360 graus, de maneira que nós cuidamos de tudo."

Durante sua apresentação no palco da Campus Party, porém, Bruce fez diferente e usou a estratégia da sua banda como exemplo do principal ponto defendido em sua apresentação: a importância do relacionamento com o consumidor.

"Ninguém quer ter clientes. Eu odeio clientes porque eles têm escolha, podem sempre ir para outro lugar. Precisamos ter fãs", disse Bruce. Segundo ele, as empresas precisam criar uma relação próxima com seus consumidores, como uma banda. "Você não vende um produto, você vende um relacionamento com o consumidor."

É por isso, diz ele, que mesmo com a crise na indústria fonográfica, o Iron Maiden não perdeu receita. Em vez disso, a banda procurou criar outras fontes de renda, como a venda de camisetas e, mais recentemente, o lançamento de um selo próprio de cerveja. "Um dia nos reunimos e pensamos: Imagine se todos os caras que fazem o download da nossa música puderem comprar algo nosso?", diz. " Então, pensamos, o que as pessoas fazem quando elas escutam música? Bebem cerveja!"

No mercado de tecnologia, Bruce citou a Apple e a Microsoft como empresas que foram capazes de criar um relacionamento de ídolo e fã com seus clientes. E comentou a entrada da Samsung no mercado de smartphones, e seu crescimento a partir da dificuldade da Apple em alimentar a relação com seus seguidores nos últimos anos, segundo ele, por problemas como a qualidade do iPhone 5, inferior a do iPhone 4. "Somos criaturas emocionais e tudo que fazemos envolve relacionamentos", disse.

Bruce também repetiu a máxima dos empreendedores ao redor do mundo: quem quer empreender deve colocar sua ideia em prática, sem pensar muito nas dificuldades. "Quando você está envolvido com algo, você usa todos os recursos que estão a seu dispor", diz. Mas, apesar de incentivar o sonho, Bruce também disse ser importante uma boa dose de realismo. "Existem muitos CEOs e diretores que são fãs de Iron Maiden e hoje dirigem companhias. Isso me ajuda a chegar até a porta, porque as pessoas tem curiosidade sobre mim. Mas é o que faço depois que passo da porta que realmente importa." Para ele, a educação formal tem um peso pequeno no sucesso de um negócio. "Você pode ensinar macacos a ter um MBA" afirmou.

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