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11 de Dezembro de 2013 - 09:01

Por Bruno Paes Manso, Paulo Saldana e Victor Vieira - Agencia Estado

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No dia em que alunos, professores e servidores da Universidade de São Paulo (USP) participaram de consulta sobre o próximo reitor, a instituição anunciou a distribuição de cargos em unidades de ensino, institutos e museus. A medida, promovida pelo reitor João Grandino Rodas, foi criticada e vista como eleitoreira por candidatos ao cargo e observadores do processo eleitoral. A decisão, segundo interlocutores, vai atingir diretamente quem for eleito.

Foi aprovada a distribuição de 700 novas vagas, para cursos aprovados nos últimos quatro anos, como, por exemplo, o de Engenharia da Poli na USP Leste. Também há cargos para reposição de aposentadorias, mortes e exonerações ocorridas desde junho, além das aposentadorias previstas até o fim de 2014 - quando Rodas já não estará no cargo.

Neste ano, os gastos com pessoal já consomem mais de 100% do orçamento da universidade. A publicação da distribuição dos cargos estava prevista para esta quarta-feira, 11, no Diário Oficial.

O presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp), Ciro Correia, vê com "preocupação" a nomeação ser feita a essa altura. "Se é para atender às necessidades da universidade, era melhor deixar para o próximo mandatário ou ter feito as nomeações há mais tempo", diz. "Vemos a atitude como enviesada pelo processo eleitoral."

As vagas foram criadas por lei sancionada em maio de 2012. Além dos 700 cargos para expansão, foram autorizadas na época 1.955 vagas para substituição por aposentadoria, morte ou exoneração.

Para o ex-reitor Roberto Lobo, o período pré-eleitoral exige cuidados. "Tomar medidas em véspera de eleição não é salutar, já que quem vai cumprir é o outro reitor. Como a USP não tem legislação eleitoral, como na política tradicional, ficamos sujeitos a medidas eleitoreiras." Em 1993, Lobo renunciou ao cargo por causa, segundo ele, da paralisia da universidade em épocas de sucessão.

O ex-diretor da Poli e candidato à reitoria, José Roberto Cardoso estranhou a distribuição. "Quero acreditar que não há critério de troca de favores", diz ele, que aponta a realização de poucas reuniões do Conselho Universitário como um dos motivos de a iniciativa não ter ocorrido antes.

O também candidato Hélio Nogueira da Cruz, que foi vice-reitor, disse que a decisão foi tomada em momento inadequado. "Caberia ao próximo reitor analisar os cargos a serem criados a partir do orçamento e da necessidade. A decisão conturbou o ambiente político."

De acordo com o professor Wanderley Messias da Costa, candidato apoiado pelo atual reitor, as críticas não têm fundamento. "Não há motivo para contenção de gastos. Os orçamentos dos próximos anos já previam essas despesas para atender às demandas", argumentou. "Além disso, a decisão não é minha e os oito membros da comissão responsável estão fora de suspeita", completou.

O quarto candidato, Marco Antonio Zago, não foi encontrado para comentar.

De acordo com a USP, não haverá impactos no orçamento porque a liberação de cargos se dará gradualmente. Além disso, boa parte das vagas é para reposição, portanto já há previsão na folha de pagamento.

As informações são do jornal

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