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12 de Janeiro de 2014 - 20:13

Por Jamil Chade - Agencia Estado

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A Fifa alerta que não terá tempo para testar todos os estádios da Copa do Mundo e, faltando cinco meses para o Mundial, implementa de vez a estratégia de transferir toda a culpa pelos problemas do torneio ao Brasil. Neste domingo, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, voltou a criar um mal-estar com o governo e mostrou que o distanciamento entre as autoridades e a entidade é cada vez maior.

Esse é o segundo ataque direto da Fifa ao Brasil em duas semanas. Antes, o presidente Joseph Blatter havia afirmado que a Copa organizada pelo Brasil será a mais atrasada desde que ele chegou à entidade, em 1975. Agora, o trabalho coube à Valcke. "A grande dificuldade é que não temos um período de testes. Nós (da Fifa) não podemos treinar", explicou à rádio France Bleu. "Os estádios serão entregues perto demais do início da primeira partida."

Questionado horas depois pela reportagem, ele confirmou a entrevista. "Isso é o que nós sempre alertamos", repetiu. Seis dos 12 estádios serão entregues fora do prazo. No caso de São Paulo, o estádio em Itaquera só estará pronto em abril.

A reportagem apurou que a estratégia de atacar o Brasil na imprensa internacional é deliberada. A Fifa tenta se distanciar dos problemas no País e, no caso de um caos na Copa, vai transferir a responsabilidade inteiramente ao governo brasileiro.

"Nos deparamos com uma infraestrutura que não está perfeitamente no ponto, quando sabemos que isso é fundamental para garantir um melhor fluxo de pessoas dos aeroportos às cidades, das cidades aos estádios, etc", insistiu Valcke.

Valcke não deixou por menos suas críticas. "Certamente haverá problemas, já que é um país do tamanho de um continente", afirmou. Ele ainda se mostrou preocupado com as manifestações. "Não sabemos como será a reação das ruas".

O secretário-geral da Fifa também defendeu o direito de a entidade fazer suas reclamações. "Não será um Mundial fácil de se organizar. Não há Mundiais fáceis de se organizar, como disse Blatter, que não se equivocou quando disse que algumas coisas poderiam ter sido feitas com antecedência. Não podemos dizer que esta é uma crítica vazia e sem sentido", insistiu.

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