Usuários estão inseguros em ponto de ônibus

Usuários do transporte público que fazem uso do ponto de ônibus instalado embaixo do Viaduto do Lacet, na Avenida Itamar Franco, Bairro Cascatinha, reclamam da baixa disponibilidade de linhas que para no local. Com isso, eles acabam ficando mais tempo no ponto, onde a sensação de insegurança é inevitável, principalmente durante a noite, por causa da iluminação precária e de registros de furtos e roubos. De acordo com os passageiros, caso outros ônibus da Zona Sul fossem autorizados a realizar o embarque e desembarque no ponto, o tempo de espera seria menor, diminuindo a exposição ao risco. A Polícia Militar afirma que os índices de assaltos não são alarmantes, mas que medidas vêm sendo empreendidas para que sejam evitados. Só este ano, foram registrados três roubos de celulares, todos efetuados por um adolescente armado com faca.
No ponto de ônibus, são autorizados a parar apenas os coletivos das linhas 532, 534, 535, 541, 545 e 560. A Tribuna esteve no local depois das 20h e constatou a demora da parada de coletivos. Após determinado horário, a espera pode chegar até 15 minutos. Os ônibus originários dos bairros Salvaterra, Cascatinha e Teixeiras são os que transitam pelo local em maior número, no entanto, não são autorizados a parar.
O enfermeiro Vagner de Almeida, 49 anos, trabalha na Ascomcer e, todos os dias, usa o ponto para voltar para casa. “Tem dias que isso aqui está deserto. Dá medo esperar sozinho, já que o pessoal comenta que há muitos assaltos nessa área. Às vezes, tenho que estender o plantão e opto por esperar no ponto do shopping, que não é tão isolado”, conta. Vagner relata que a parada de mais ônibus facilitaria para mos usuários do transporte público. “Infelizmente muitos ônibus não param, tem gente que chega a dar sinal, mas não adianta. Talvez se colocassem o ponto um pouco mais para baixo seria possível a parada sem prejudicar o fluxo. O servidor de manutenção do Hospital Monte Sinai, Ronaldo Bradariolo, 50, sugere melhorias na iluminação. “Poderiam aumentar o número de postes, já que esta é uma área perigosa”, afirma.
Professor universitário e membro da Associação de moradores do Bairro São Mateus, José Luiz Britto Bastos explica que a situação também apresenta transtornos aos alunos da faculdade localizada a poucos metros dali. “Ela está mais próxima do ponto do viaduto do que do ponto da maternidade. Todo aquele trecho é muito isolado, não há residências. Ambas as calçadas são perigosas, o que aumenta o risco de assaltos. O ideal é que os ônibus parassem ali para atender aos alunos”, afirma. Para Britto, a presença policial no local deveria ser constante. “Ali é um ponto crítico. Muitos criminosos já conhecem a situação e aproveitam para abordar quem espera a condução. Deveria ter uma vigilância permanente da PM, inclusive uma câmera do ‘Olho vivo'”, sugere.
Responsável pelo controle das linhas municipais, a Settra destaca que as linhas originárias da Avenida Dr. Paulo Japiassu Coelho não podem atender o ponto, uma vez que é necessário haver um entrelaçamento logo depois de uma curva. A possibilidade de implantar mais linhas já foi avaliada pelos técnicos, sendo verificado que a manobra pode apresentar um risco tanto para o transporte público quanto para os demais veículos que trafegam no trecho.
Transferência de ponto solicitada
O comandante da 32ª Cia de Polícia Militar, capitão Ricardo França, afirma que houve, nos últimos meses, uma diminuição das ocorrências de furtos e roubos no trecho entre a maternidade e a rotatória da Ascomcer. “Ficamos oito meses sem registro de roubos naquele local, embora tenham ocorrido três este ano. A polícia já identificou que é um adolescente armado com faca, que exige que as vítimas entreguem o celular. Ele comete o delito e foge a pé.”
França explica que providências já foram tomadas junto ao Poder Público. “Encaminhamos um ofício à Prefeitura em 2013, no qual solicitávamos o reforço da iluminação, a transferência deste ponto para um local mais abaixo, onde outros ônibus pudessem parar, além da instalação de um gradil no canteiro central, para conter os criminosos durante a fuga. No entanto, não obtivemos resposta”, revela.
A Settra afirma que a Avenida Itamar Franco é uma via arterial, que tem a função de escoar um número substancial de veículos e não permite estacionamento em suas faixas de rolamento. Sobre as propostas sugeridas pela PM, afirma que a solução para a implantação do ponto de ônibus no local, seria a construção de uma baia para garantir a segurança aos passageiros e do veículo. Contudo, observa-se que no local não há espaço para a implantação devido à construção estar rente à via, o que torna irrealizável a construção. Acerca da implantação do gradil, a Settra informa que é tecnicamente inviável, devido à existência de árvores no local. A Prefeitura vai avaliar junto à Secretaria de Obras a possibilidade de aumentar a altura do canteiro já existe.
Em relação à iluminação do local, a Diretoria de Energia e Eletrificação da Empav informa que, a partir de abril, a empresa responsável pela iluminação pública do município já tem programadas as obras de melhoria em diversos pontos da cidade, incluindo a Curva do Lacet.









